Buscando melhor compreender e explicar o conhecimento, o homem o classificou em modalidades com características específicas e objetos de estudos próprios. Estas modalidades são: popular ou senso comum, religioso ou teológico, filosófico e científico.
O conhecimento popular, também chamado de empírico ou sensível ou vulgar, é aquele derivado das experiências cotidianas sem que haja a intenção sistemática de analisar uma realidade na forma de pesquisa; é, conforme Cervo e Bian (1997) citado por Neto (2004, p. 11) o conhecimento obtido das “(...) investigações pessoais feitas ao sabor das circunstâncias da vida”, ou seja, o conhecimento construído a partir da relação do indivíduo ou grupo deles com o mundo, em contato direto com coisas e/ou pessoas. Esta categoria tem assumido importância axial como fonte de todo o conhecimento humano.
Outra modalidade não menos importante que a popular é o conhecimento teológico, caracterizado por ser predominantemente valorativo e inspiracional. Um conhecimento que tem como alicerce os princípios, normas, crenças, valores, leis, entre outros, registrados nos livros sagrados, em especial a Bíblia. Registros que são revelados mediante a fé e aceitos após análise crítica da história e que explicam a relação do Absoluto (Deus) e o relativo (homem), como também a realidade do homem e do universo.
O conhecimento filosófico surgiu da necessidade de separar as explicações místicas e religiosas, das explicações pela razão intelectual pura.
A sua importância deve-se ao trabalho da razão pura para questionar e explicar os problemas da vida e do homem, e ter a faculdade de discernir entre o certo e o errado, apenas pela razão e inteligência.
E por fim o conhecimento científico, caracterizado pela racionalidade (uso da razão), sistematização (de práticas e processos) e aplicação de metodologia para descrever, interpretar e explicar a realidade circundante. Consiste, portanto, numa gama organizada de conhecimentos obtidos, principalmente, mediante a observação sistemática de determinado objeto e a experimentação de métodos de investigação próprios para cada fato ou fenômeno.
O avanço desses métodos, a natureza dinâmica da realidade, a subjetividade do pesquisador e a especificidade de cada contexto sociocultural, político e econômico em que se realiza a pesquisa são fatores que influenciam na construção desse conhecimento, tornando-o uma produção também histórica e aberta. Nesse horizonte, é um conhecimento temporal, inacabado, contextualizado e falível.
É preciso destacar que não existe uma hierarquia, em termos de importância e aplicabilidade na vida cotidiana, dessas modalidades, ou seja, a popular não é inferior ou superior à científica, esta não é superior à filosófica (e vice-versa) que também não suplanta a religiosa, mas todas, de acordo com determinado contexto, assumem sua relevância e utilidade, e que elas fazem parte da constituição dos sujeitos, algumas mais presentes que outras, como assinalam Lakatos e Marconi (1982, p. 21): [...] estas formas de conhecimento podem coexistir na mesma pessoa: um cientista voltado, por exemplo, ao estudo da física, pode ser crente praticante de determinada religião, estar filiado a um sistema filosófico e, em muitos aspectos da vida cotidiana, agir com conhecimentos provenientes do senso comum.
Também, de acordo com Nonaka e Takeuchi (1997), o conhecimento pode ser classificado em conhecimento tácito e conhecimento explícito. O conhecimento tácito é físico, subjetivo, proveniente da experiência, específico ao contexto e difícil de ser formalizado e comunicado. O conhecimento explícito pode ser estruturado e verbalizado, sendo facilmente transportado, armazenado e compartilhado em documentos e sistemas computacionais. Fazem parte do conhecimento explícito livros, normas, procedimentos de trabalho, entre outros.
Nonaka e Takeuchi (1997) destacam que uma organização não pode criar conhecimento sem indivíduos. Portanto, a organização deve apoiar os indivíduos criativos e lhes proporcionar contextos para a criação do conhecimento. A criação do conhecimento organizacional deve ser entendida como um processo que amplia para a esfera da empresa o conhecimento criado pelos indivíduos, cristalizando-o como parte da rede de conhecimentos da organização. Na teoria da criação do conhecimento organizacional, os autores definem os quatro modos de conversão do conhecimento:
- Socialização: conversão do conhecimento tácito em conhecimento tácito. Consiste no compartilhamento de experiências através da observação, imitação e prática, segundo o modelo mestre-aprendiz.
- Exteriorização: conversão do conhecimento tácito em conhecimento explícito através do uso de metáforas, analogias, conceitos, hipóteses ou modelos.
- Combinação: conversão do conhecimento explícito em conhecimento explícito. Envolve a reconfiguração das informações existentes através da classificação, do acréscimo, da combinação e da categorização do conhecimento explícito.
- Interiorização: conversão do conhecimento explícito em conhecimento tácito. É intimamente relacionado ao “aprender fazendo” e ocorre sob a forma de modelos mentais ou know-how técnico compartilhado.
http://www.moodle.ufba.br/mod/book/view.php?id=13137&chapterid=10747

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