quinta-feira, 29 de setembro de 2011

"Fotografar é conseguir captar o que existe atrás do que se vê com os olhos...é ver através de uma parede invisível...."


Pablo Picasso sobre a fotografia:

''Quando vemos o que pode ser expresso pela foto, 
nos damos conta de que tudo aquilo não pode mais ser 
preocupação da pintura... 
Por que o artista insistiria em realizar aquilo que, com a 
ajuda da objetiva, pode ser tão bem feito? 
Seria uma loucura, não? A fotografia chegou na hora certa 
para liberar a pintura de qualquer literatura, anedota e 
arte do tema. Em todo caso, um certo aspecto do tema 
pertence, daqui por diante, ao campo da fotografia... 
Não deveriam os pintores aproveitar sua liberdade reconquistada para fazer outra coisa? Seria muito curioso fixar fotograficamente, não as etapas de um quadro, mas suas metamorfoses. Talvez percebêssemos por quais caminhos o cérebro envereda para a concretização de seus sonhos. Entretanto, é realmente muito curioso observar que, no fundo, o quadro não muda, que a visão inicial permanece quase intacta, apesar das aparências. Muitas vezes vejo uma luz e uma sombra que pus no meu quadro e empenho-me em quebrá-las, acrescentando uma cor que crie um efeito contrário. Quando essa obra é fotografada, percebo que aquilo que havia introduzido para corrigir minha primeira visão desaparece, e que, definitivamente, a imagem dada pela fotografia corresponde a minha primeira visão, antes das transformações trazidas contra minha vontade.''

sábado, 24 de setembro de 2011





O PODER COGNITIVO DAS EMOÇÕES...

O PODER COGNITIVO DAS EMOÇÕES
Toda emoção tem seu valor cognitivo .As emoções negativas por exemplo tem sua própria classe de conhecimentos,elas teem razão EM SEU PRÓRPIO NÍVEL DE EXISTIR(“aquilo” sempre é injusto) elas se sustentam em seu próprio lado cognitivo:elas permitem ver o pior lado de uma coisa.
De modo que,sustentam e são capazes de provar que teem razão,de algum modo.
Podem desenvolver astúcia e adquirir conhecimentos, pra sobreviver,pra promover os seus fins(conversas,auto justificação interior etc).
Todas essas emoções negativas são inúteis ,cada uma LEVA SEU PRÓPRIO VENENO,(sentimentos de não ser bem tratado ,auto-compaixão,ressentimentos persistentes,muitas classes de ódios,aversões etc)
Algumas são muito maliciosas,convém RECONHECE-LAS e arranca-las de qualquer JUSTIFICATIVA DE SI.
A energia que se relaciona com suas manifestações se pode vincular com uma enfermidade.Por isso é preciso PRIVAR DE ALIMENTOS os estados negativos,deixando-os de aprova-los secretamente.
Existe um sabor (sutil),uma satisfação em sermos negativos...
O ódio é como um veneno de cobra,uma vez INJETADO só faz mal a nós e não ao outro!(traz danos a saúde como enfarto,hipertensão,gastrites etc)
Se ficarmos alimentado-as são contagiosas ,retornam mais fortes.
Descobrir o lado ABSURDO ISANO NEGATIVO DESTRUTIVO delas,derramar SOLVENTE sobre essas manifestações,sem nenhuma consideração,É O COMEÇO DE UM GRANDE TRABALHO INTERNO!
Pensamos que a emoção é criada em nós por algo EXTERIOR,quando na verdade ELA EXISTE DENTRO DE NÓS ..apenas buscamos sua expressão em algo que projetamos,para a justificarmos....
A LUTA deve começar na nossa mente!:
Descobrindo as emoções ligadas a certo tipo de pensar,certos pontos de vista...(o amor nos faz ver de um modo,o ódio..de outros)
Começando a separar as emoções do pensamento,elas terminarão sem receber da mente o alimento e enfraquecem!!!(manter o intelecto á parte e olhar as emoções...)
As emoções mais penosas resultam de sentimentos de INJUSTIÇA,

domingo, 18 de setembro de 2011

Filosofia e educação.


 Os aspectos essenciais da filosofia,especialmente sua compreensão como atividade racional visa dar ao ser humano conciência de sua condição no mundo e as relações entre filosofia  e educação podem assegurar um maior e melhor aprofundamento sobre os vários aspectos que dizem respeito aos processos educacionais em seus vários níveis. Por fim, passamos a compreender que para se fazer uma educação como consciente, é preciso refletir sobre seus mais diversos aspectos, optando de forma livre e objetiva pelos caminhos viáveis à sua transformação em atividade promotora do crescimento humano.
Material de apoio UNITINS/Letras 2008/1 pag. 43 e 44

Interação entre filosofia e educação


A relação entre filosofia e educação
Angela Maria da Silva *
A educação, como sabemos, é um processo que se desenvolve no decorrer de toda a vida do ser humano. O processo da educação formal, escolar, não é diferente no que se refere a este aspecto, porém é preciso que estejamos cientes que no espaço privilegiado da escola encontra-se o conhecimento teórico, o qual se diferencia do conhecimento espontâneo que encontramos fora do contexto escolar. A partir do momento em que começamos a freqüentar uma instituição escolar, buscamos nos apoderar de conceitos mais elaborados, lapidados e para isso contamos com o apoio dos educadores que possuem a responsabilidade de nos indicar o caminho a ser trilhado. Porém, é preciso salientar que a apropriação destes conceitos ou conhecimentos constitui-se em um processo de permanente desenvolvimento, que envolve educadores (professores) e educandos (alunos) na construção da aprendizagem. Esta construção se dá, então, nas relações estabelecidas entre professor e aluno que buscam o conhecimento racional. O conhecimento racional, submetido ao exame do nosso pensar e que é busca- do na escola, diferencia-se do conhecimento espontâneo, porque precisa de um método que conduza a compreensão do verdadeiro significado das coisas. Nesse sentido, a Filosofia, com certeza, é capaz de dar contribuições muito importantes, pois pode fornecer elementos que embasam os princípios metodológicos mais indicados para que os educadores construam com os educandos conhecimentos com bases sólidas. Ou seja, para que os participantes do processo ensino-aprendizagem elaborem conhecimentos baseados na curiosidade profunda acerca do mundo no qual estão inseridos. A Filosofia, através do debate, do diálogo, da reflexão, da problematização, da argumentação, leva o educador a descobrir que, com um método eficiente, é ca- paz de ajudar o educando a pensar e refletir e não apenas a reproduzir conheci- mentos prontos. É a partir de então que o educador percebe que é ensinando a perguntar, dialogar, argumentar e desvendar o que está além do superficial que ele constrói a verdadeira educação, aquela que, como diz Heidegger, vem à palavra e não apenas da palavra. A Filosofia, através do filosofar, estabelece, então, com a educação uma relação intrínseca capaz de resultar nos verdadeiros critérios, nos valores realmente importantes, nas perguntas e respostas essenciais para a construção do conheci- mento racional.
* Acadêmica do VII Nível do curso de Filosofia na Universidade de Passo Fundo -UPF/RS

.Id, Ego e Superego




Id: Uma das instâncias da teoria estrutural do aparelho psíquico. O Id que opera em nível inconsciente contém os impulsos instintivos que se originam na organização somática e ganham aqui expressão psíquica e também idéias e recordações que por serem insuportáveis ao indivíduo foram reprimidas.


Ego: É uma das três instâncias que Freud concebeu em um de seus modelos para explicar o funcionamento da mente humana. O ego é a parte organizada desse sistema que entra em contato direto com a realidade externa e através de suas funções tem capacidade de atuar sobre esta numa tentativa de adaptação


Superego: Uma das três instâncias da personalidade, que Freud concebeu em um dos modelos do aparelho psíquico. O superego é formado a partir das identificações com os genitores, dos quais ele assimila as ordens e proibições. Assume então o papel de juiz e vigilante, formando uma espécie de autoconsciência moral.

A atividade racional.



A atividade  racional é a capacidade humana do esforço intelectual para ordenar as coisas segundo normas e regras de pensamento e linguagem e  o raciocínio,  ou razão discursiva, é uma forma de conhecimento mediato, isto é, precisa percorrer um caminho para produzir o conhecimento. O raciocínio se dá de duas formas, que são interligadas, mas diferem entre si: dedução e indução.
O raciocínio dedutivo parte de uma lei, teoria ou hipótese geral da qual é possível tirar conclusões particulares. Diz-se, portanto, que a dedução vai do geral para o particular e que a indução percorre o caminho inverso, pois parte de casos particulares em busca de conceitos ou teorias gerais. A partir da observação dos casos particulares, na indução, buscam-se as características comuns em em cada situação específica, tendo em vista o reconhecimento de eventos que se retem com certa regularidade. A intuição, ao contrário do raciocínio, é uma forma de conhecimento imediato. isto é, uma compeensão global e instantânea de uma verdade, de um objeto, de um fato.
A ideologia para Marx, é um conjunto de ideias que servem para dissimular a realidade, justificando a visão de mundo, as concepções e valores do grupo social dominante, reproduzido pelas pessoas e grupos de outras classes sociais e que, para Gramsci, o papel das ideologias arbitrárias identifica-se  com a consepção marxista e serve para mascarar a realidade. Por outro ladao, as ideologias orgânicas promovem a unidade de um grupo social sobre os seus ideais, proporcionando a tomada de conciência. O ser humano possui tres dimensões em sua vida psiquica: id (inconciente , formado por instintos e impulsos), o superego (também inconciente é responsável pela censura ao id) e o ego (que é a parte consciente de nossa vida psíquica submetida aos desejos do id e às repressôes do superego).
Material de apoio UNITINS/Letras/2008/1. pag. 34

Ideologia e inconsciente

                                                                                                                                          Salvador Dali


A ideologia se assemelha a alguns aspectos do inconsciente psicanalítico. Há, pelo menos, três semelhanças principais entre eles:

1. O fato de que adotamos crenças, opiniões, idéias sem saber de onde vieram, se pensar em suas causas e motivos, sem avaliar se são ou não coerentes e verdadeiras;


2. Ideologia e inconsciente operam através do imaginário ( as representações e regras saídas da experiência imediata) e do silêncio, realizando-se indiretamente perante a consciência. Falamos, agimos, pensamos, temos comportamentos e práticas que nos parecem perfeitamente naturais e racionais porque a sociedade os repete, os aceita, os incute em nós pela família, pela escola , pelos livros, pelos meios de comunicação, pelas relações de trabalho, pelas práticas políticas. Um véu de imagens estabelecidas interpões-se entre consciência e a realidade.


3. Inconsciênte e ideologia não são deliberações voluntárias. O inconsciente precisa de imagens, substitutos, sonhos, lapsos, atos falhos, sintomas, sublimação para manifestar-se, ao mesmo tempo, esconder-se da consciência. A ideologia precisa das idéias-imagens, da inversão de causas e efeitos, do silêncio para manifestar-se os interesses da classe dominante, e escondê-las como interesse de uma única classe social.

CHAUÍ,MARILENA. Convite à Filosofia. Ed. Ática.13ªediçÃO. PAG 176

A razão e suas modalidades



A Filosofia distingue duas grandes modalidades da atividade racional, realizadas pela razão subjetiva ou pelo sujeito do conhecimento: a intuição (ou razão intuitiva) e o raciocínio (ou razão discursiva).
A atividade racional discursiva, como a própria palavra indica, discorre, percorre uma realidade ou um objeto para chegar a conhecê-lo, isto é, realiza vários atos de conhecimento até conseguir capta-lo. A razão discursiva ou o pensamento discursivo chega ao objeto passando por etapas sucessivas de conhecimento, realizando esforços sucessivos de aproximação para chegar ao conceito ou à definição do objeto.
A razão intuitiva ou intuição, ao contrário, consiste num único ato do espírito, que, de uma só vez, capta por inteiro e completamente o objeto. Em latim, intuitos significa: ver. A intuição é uma visão direta e imediata do objeto do conhecimento, um contato direto e imediato com ele, sem necessidade de provas ou demonstrações para saber o que conhece.
A intuição
A intuição é uma compreensão global e instantânea de uma verdade, de um objeto, de um fato. Nela, de uma só vez, a razão capta todas as relações que constituem a realidade e a verdade da coisa intuída. É um ato intelectual de discernimento e compreensão, como, por exemplo, tem um médico quando faz um diagnóstico e apreende de uma só vez a doença, sua causa e o modo de trata-la. Os psicólogos se referem à intuição usando o termo insight, para referirem-se ao momento em que temos uma compreensão total, direta e imediata de alguma coisa, ou o momento em que percebemos, num só lance, um caminho para a solução de um problema científico, filosófico ou vital.
Um exemplo de intuição pode ser encontrado no romance de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas. Riobaldo e Diadorim são dois jagunços ligados pela mais profunda amizade e lealdade, companheiros de lutas e cumpridores de uma vingança de sangue contra os assassinos da família de Diadorim. Riobaldo, porém, sente-se cheio de angústia e atormentado, pois seus sentimentos por Diadorim são confusos, como se entre eles houvesse muito mais do que a amizade. Diadorim é assassinado. Quando o corpo é trazido para ser preparado para o funeral, Riobaldo descobre que Diadorim era mulher. De uma só vez, num só lance, Riobaldo compreende tudo o que sentia, todos os fatos acontecidos entre eles, todas as conversas que haviam tido, todos os gestos estranhos de Diadorim e compreende, instantaneamente, a verdade: estivera apaixonado por Diadorim.
A razão intuitiva pode ser de dois tipos: intuição sensível ou empírica e intuição intelectual.
1. A intuição sensível ou empírica (do grego, empeiria: experiência sensorial) é o conhecimento que temos a todo momento de nossa vida. Assim, com um só olhar ou num só ato de visão percebemos uma casa, um homem, uma mulher, uma flor, uma mesa. Num só ato, por exemplo, capto que isto é uma flor: vejo sua cor e suas pétalas, sinto a maciez de sua textura, aspiro seu perfume, tenho-a por inteiro e de uma só vez diante de mim.
A intuição empírica é o conhecimento direto e imediato das qualidades sensíveis do objeto externo: cores, sabores, odores, paladares, texturas, dimensões, distâncias. É também o conhecimento direto e imediato de estados internos ou mentais: lembranças, desejos, sentimentos, imagens.
A intuição sensível ou empírica é psicológica, isto é, refere-se aos estados do sujeito do conhecimento enquanto um ser corporal e psíquico individual – sensações, lembranças, imagens, sentimentos, desejos e percepções são exclusivamente pessoais.
Assim, a marca da intuição empírica é sua singularidade: por um lado, está ligada à singularidade do objeto intuído (ao “isto” oferecido à sensação e à percepção) e, por outro, está ligada à singularidade do sujeito que intui (aos “meus” estados psíquicos, às “minhas” experiências). A intuição empírica não capta o objeto em sua universalidade e a experiência intuitiva não é transferível para um outro objeto. Riobaldo teve uma intuição empírica.
2. A intuição intelectual difere da sensível justamente por sua universalidade e necessidade. Quando penso: “Uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo”, sei, sem necessidade de provas ou demonstrações, que isto é verdade. Ou seja, tenho conhecimento intuitivo do princípio da contradição. Quando digo: “O amarelo é diferente do azul”, sei, sem necessidade de provas e demonstrações, que há diferenças. Vejo, na intuição sensível, a cor amarela e a cor azul, mas vejo, na intuição intelectual, a diferença entre cores. Quando afirmo: “O todo é maior do que as partes”, sei, sem necessidade de provas e demonstrações, que isto é verdade, porque intuo uma forma necessária de relação entre as coisas.
A intuição intelectual é o conhecimento direto e imediato dos princípios da razão (identidade, contradição, terceiro excluído, razão suficiente), das relações necessárias entre os seres ou entre as idéias, da verdade de uma idéia ou de um ser.
Na história da Filosofia, o exemplo mais célebre de intuição intelectual é conhecido como o cogito cartesiano, isto é, a afirmação de Descartes: “Penso (cogito), logo existo”. De fato, quando penso, sei que estou pensando e não é preciso provar ou demonstrar isso, mesmo porque provar e demonstrar é pensar e para demonstrar e provar é preciso, primeiro, pensar e saber que se pensa.
Quando digo: “Penso, logo existo”, estou simplesmente afirmando racionalmente que sei que sou um ser pensante ou que existo pensando, sem necessidade de provas e demonstrações. A intuição capta, num único ato intelectual, a verdade do pensamento pensando em si mesmo.
Um outro exemplo de intuição intelectual é oferecido pela fenomenologia, criada por Husserl. Trata-se da intuição intelectual de essências ou significações. Toda consciência, diz Husserl, é sempre “consciência de” ou consciência de alguma coisa, isto é, toda consciência é um ato pelo qual visamos um objeto, um fato, uma idéia. A consciência representa os objetos, os fatos, as pessoas. Cada representação pode ser obtida por um passeio ou um percurso que nossa consciência faz à volta de um objeto. Essas várias representações são psicológicas e individuais, e o objeto delas, o representado, também é individual ou singular.
Por exemplo, diz Husserl, quando quero pensar em alguém, como Napoleão, posso representa-lo ganhando a batalha de Waterloo, prisioneiro na ilha de Elba e na ilha de Santa Helena, montado em seu cavalo branco, usando o chapéu de três pontas e com a mão direita enfiada na túnica.
Cada uma dessas representações é singular: por um lado, cada uma delas é um ato psicológico singular que eu realizo (um ato de lembrar, um ato de ver a imagem de Napoleão num quadro, um ato de ler sobre ele num livro, etc.) e, por outro, cada uma delas possui um representante singular (Napoleão a cavalo, Napoleão na batalha de Waterloo, Napoleão fugindo de Elba, etc.). No entanto, embora sejam singulares e distintas umas das outras, todas possuem o mesmo representado, o mesmo significado, a mesma significação ou a mesma essência: Napoleão.
Quando colocamos de lado a singularidade psicológica de cada uma de nossas representações e a singularidade de cada um dos representantes, ficando apenas com a idéia ou significação “Napoleão”, como uma universalidade ou generalidade, temos uma intuição da essência “Napoleão”. A intuição da essência é a apreensão intelectual imediata e direta de uma significação, deixando de lado as particularidades dos representantes que indicam empiricamente a significação. É assim que tenho intuição intelectual da essência ou significação “triângulo”, “imaginação”, “memória”, “natureza”, “cor”, “diferença”, “Europa”, “pintura”, “literatura”, “tempo”, “espaço”, “coisa”, “quantidade”, “qualidade”, etc. Intuímos idéias.
Fala-se também de uma intuição emotiva ou valorativa. Trata-se daquela intuição na qual, juntamente com o sentido ou significação de alguma coisa, captamos também seu valor, isto é, com a idéia intuímos também se a coisa ou essência é verdadeira ou falsa, bela ou feia, boa ou má, justa ou injusta, possível ou impossível, etc. Ou seja, a intuição intelectual capta a essência do objeto (o que ele é) e a intuição emotiva ou valorativa capta essa essência pelo que o objeto vale.
A razão discursiva:
dedução, indução e abdução
A intuição pode ser o ponto de chegada, a conclusão de um processo de conhecimento, e pode também ser o ponto de partida de um processo cognitivo. O processo de conhecimento, seja o que chega a uma intuição, seja o que parte dela, constitui a razão discursiva ou o raciocínio.
Ao contrário da intuição, o raciocínio é o conhecimento que exige provas e demonstrações e se realiza igualmente por meio de provas e demonstrações das verdades que estão sendo conhecidas ou investigadas. Não é um ato intelectual, mas são vários atos intelectuais internamente ligados ou conectados, formando um processo de conhecimento.
Um caçador sai pela manhã em busca da caça. Entra no mato e vê rastros: choveu na véspera e há pegadas no chão; pequenos galhos rasteiros estão quebrados; o capim está amassado em vários pontos; a carcaça de um bicho está à mostra, indicando que foi devorado há poucas horas; há um grande silêncio no ar, não há canto de pássaros, não há ruídos de pequenos animais.
O caçador supõe que haja uma onça por perto. Ele pode, então, tomar duas atitudes. Se, por todas as experiências anteriores, tiver certeza de que a onça está nas imediações, pode preparar-se para enfrenta-la: sabe que caminhos evitar, se não estiver em condições de caçá-la; sabe que armadilhas armar, se estiver pronto para captura-la; sabe como atraí-la, se quiser conserva-la viva e preservar a espécie.
O caçador pode ainda estar sem muita certeza se há ou não uma onça nos arredores e, nesse caso, tomará uma série de atitudes para verificar a presença ou ausência do felino: pode percorrer trilhas que sabem serem próprias de onças; pode examinar melhor as pegadas e o tipo de animal que foi devorado; pode comparar, em sua memória, outras situações nas quais esteve presente uma onça, etc.
Assim, partindo de indícios, o caçador raciocina para chegar a uma conclusão e tomar uma decisão. Temos aí um exercício de raciocínio empírico e prático (isto é, um pensamento que visa a uma ação) e que se assemelha à intuição sensível ou empírica, isto é, caracteriza-se pela singularidade ou individualidade do sujeito e do objeto do conhecimento.
Quando, porém, um raciocínio se realiza em condições tais que a individualidade psicológica do sujeito e a singularidade do objeto são substituídas por critérios de generalidade e universalidade, temos a dedução, a indução e a abdução.
A dedução
Dedução e indução são procedimentos racionais que nos levam do já conhecido ao ainda não conhecido, isto é, permitem que adquiramos conhecimentos novos graças a conhecimentos já adquiridos. Por isso, se costuma dizer que, no raciocínio, o intelecto opera seguindo cadeias de razões ou os nexos e conexões internos e necessários entre as idéias ou entre os fatos.
A dedução consiste em partir de uma verdade já conhecida (seja por intuição, seja por uma demonstração anterior) e que funciona como um princípio geral ao qual se subordinam todos os casos que serão demonstrados a partir dela. Em outras palavras, na dedução parte-se de uma verdade já conhecida para demonstrar que ela se aplica a todos os casos particulares iguais. Por isso também se diz que a dedução vai do geral ao particular ou do universal ao individual. O ponto de partida de uma dedução é ou uma idéia verdadeira ou uma teoria verdadeira.
Por exemplo, se definirmos o triângulo como uma figura geométrica cujos lados somados são iguais à soma de dois ângulos retos, dela deduziremos todas as propriedades de todos os triângulos possíveis. Se tomarmos como ponto de partida as definições geométricas do ponto, da linha, da superfície e da figura, deduziremos todas as figuras geométricas possíveis.
No caso de uma teoria, a dedução permitirá que cada caso particular encontrado seja conhecido, demonstrando que a ele se aplicam todas as leis, regras e verdades da teoria. Por exemplo, estabelecida a verdade da teoria física de Newton, sabemos que: 1) as leis da física são relações dinâmicas de tipo mecânico, isto é, se referem à relações de força (ação e reação) entre corpos dotados de figura, massa e grandeza; 2) os fenômenos físicos ocorrem no espaço e no tempo; 3) conhecidas as leis iniciais de um conjunto ou de um sistema de fenômenos, poderemos prever os atos que ocorrerão nesse conjunto e nesse sistema.
Assim, se eu quiser conhecer um ato físico particular – por exemplo, o que acontecerá com o corpo lançado no espaço por uma nave espacial, ou qual a velocidade de um projétil lançado de um submarino para atingir um alvo num tempo determinado, ou qual é o tempo e a velocidade para um certo astro realizar um movimento de rotação em torno de seu eixo -, aplicarei a esses casos particulares as leis gerais da física newtoniana e saberei com certeza a resposta verdadeira.
A dedução é um procedimento pelo qual um fato ou objeto particulares são conhecidos por inclusão numa teoria geral.
Costuma-se representar a dedução pela seguinte fórmula:
Todos os x são y (definição ou teoria geral);
A é x (caso particular);
Portanto, A é y (dedução).
Exemplos:
1.
Todos os homens (x) são mortais (y);
Sócrates (A) é homem (x);
Portanto, Sócrates (A) é mortal (y).
2.
Todos os metais (x) são bons condutores de eletricidade (y);
O mercúrio (A) é um metal (x);
Portanto, o mercúrio (A) é bom condutor de eletricidade (y).
A razão oferece regras especiais para realizar uma dedução e, se tais regras não forem respeitadas, a dedução será considerada falsa.
A indução
A indução realiza um caminho exatamente contrário ao da dedução. Com a indução, partimos de casos particulares iguais ou semelhantes e procuramos a lei geral, a definição geral ou a teoria geral que explica e subordina todos esses casos particulares. A definição ou a teoria são obtidas no ponto final do percurso. E a razão também oferece um conjunto de regras precisas para guiar a indução; se tais regras não forem respeitadas, a indução será considerada falsa.
Por exemplo, colocamos água no fogo e observamos que ela ferve e se transforma em vapor; colocamos leite no fogo e vemos também que ele se transforma em vapor; colocamos vários tipos de líquidos no fogo e vemos sempre sua transformação em vapor. Induzimos desses casos particulares que o fogo possui uma propriedade que produz a evaporação dos líquidos. Essa propriedade é o calor.
Verificamos, porém, que os diferentes líquidos não evaporam sempre na mesma velocidade; cada um deles, portanto, deve ter propriedades específicas que os fazem evaporar em velocidades diferentes. Descobrimos, porém, que a velocidade da evaporação não é o fato a ser observado e sim quanto de calor cada líquido precisa para começar a evaporar. Se considerarmos a água nosso padrão de medida, diremos que ela ferve e começa a evaporar a partir de uma certa quantidade de calor e que é essa quantidade de calor que precisa ser conhecida. Podemos, a seguir, verificar um fenômeno diferente. Vemos que água e outros líquidos, colocados num refrigerador, endurecem e se congelam, mas que, como no caso do vapor, cada líquido se congela ou se solidifica em velocidades diferentes. Procuramos, novamente, a causa dessa diferença de velocidade e descobrimos que depende tanto de certas propriedades de cada líquido quanto da quantidade de frio que há no refrigerador. Percebemos, finalmente, que é essa quantidade que devemos procurar.
Com essas duas séries de fatos (vapor e congelamento), descobrimos que os estados dos líquidos variam (evaporação e solidificação) em decorrência da temperatura ambiente (calor e frio) e que cada líquido atinge o ponto de evaporação ou de solidificação em temperaturas diferentes. Com esses dados podemos formular uma teoria da relação entre os estados da matéria – sólido, líquido e gasoso – e as variações de temperatura, estabelecendo uma relação necessária entre o estado de um corpo e a temperatura ambiente. Chegamos, por indução, a uma teoria.
A dedução e a indução são conhecidas com o nome de inferência, isto é, concluir alguma coisa a partir de outra já conhecida. Na dedução, dado X, infiro (concluo) a, b, c, d. Na indução, dados a, b, c, d, infiro (concluo) X.
A abdução
O filósofo inglês Peirce considera que, além da dedução e da indução, a razão discursiva ou raciocínio também se realiza numa terceira modalidade de inferência, embora esta não seja propriamente demonstrativa. Essa terceira modalidade é chamada por ele de abdução.
A abdução é uma espécie de intuição, mas que não se dá de uma só vez, indo passo a passo para chegar a uma conclusão. A abdução é a busca de uma conclusão pela interpretação racional de sinais, de indícios, de signos. O exemplo mais simples oferecido por Peirce para explicar o que seja a abdução são os contos policiais, o modo como os detetives vão coletando indícios ou sinais e formando uma teoria para o caso que investigam.
Segundo Peirce, a abdução é a forma que a razão possui quando inicia o estudo de um novo campo científico que ainda não havia sido abordado. Ela se aproxima da intuição do artista e da adivinhação do detetive, que, antes de iniciarem seus trabalhos, só contam com alguns sinais que indicam pistas a seguir. Os historiadores costumam usar a abdução.
De modo geral, diz-se que a indução e a abdução são procedimentos racionais que empregamos para a aquisição de conhecimentos, enquanto a dedução é o procedimento racional que empregamos para verificar ou comprovar a verdade de um conhecimento já adquirido.
Realismo e idealismo
Vimos anteriormente que muitos filósofos distinguem razão objetiva e razão subjetiva, considerando a Filosofia o encontro e o acordo entre ambas.
Falar numa razão objetiva significa afirmar que a realidade externa ao nosso pensamento é racional em si e por si mesma e que podemos conhece-la justamente por ser racional. Significa dizer, por exemplo, que o espaço e o tempo existem em si e por si mesmos, que as relações matemáticas e de causa-efeito existem nas próprias coisas, que o acaso existe na própria realidade, etc.
Chama-se realismo a posição filosófica que afirma a existência objetiva ou em si da realidade externa como uma realidade racional em si e por si mesma e, portanto, que afirma a existência da razão objetiva.
Há filósofos, porém, que estabelecem uma diferença entre a realidade e o conhecimento racional que dela temos. Dizem eles que, embora a realidade externa exista em si e por si mesma, só podemos conhece-la tal como nossas idéias a formulam e a organizam e não tal como ela seria em si mesma. Não podemos saber nem dizer se a realidade exterior é racional em si, pois só podemos saber e dizer que ela é racional para nós, isto é, por meio de nossas idéias.
Essa posição filosófica é conhecida com o nome de idealismo e afirma apenas a existência da razão subjetiva. A razão subjetiva possui princípios e modalidades de conhecimento que são universais e necessários, isto é, válidos para todos os seres humanos em todos os tempos e lugares. O que chamamos realidade, portanto, é apenas o que podemos conhecer por meio das idéias de nossa razão.

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Marilena Chauí é professora de Filosofia na Universidade de São Paulo e uma das mais prestigiadas intelectuais brasileiras, com presença atuante no debate político nacional e na construção da democracia brasileira. São freqüentes os seus artigos na imprensa, bem como sua participação em congressos, conferências e cursos, no país e no exterior. É autora de Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas, O que é ideologia?, Apontamentos para uma crítica da razão integralista, Da realidade sem mistérios ao mistério do mundo: Espinosa, Voltaire e Merleau-Ponty, Repressão sexual, essa nossa (des)conhecida, Conformismo e resistência: notas sobre cultura popular e Seminários sobre o nacional e o popular na cultura.
philosophia@conex.com.br

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O conhecimento



  O conhecimento como processo diz respeito ao conjunto de procedimentos mentais/intelectuais utilizados para elaboração de determinados conteúdos e o conhecimento como produto é o resultado de trabalho de pesquisa e elaboração que se transforma em algo material.
.Doxa é o conhecimento vulgar, não refletido e, portanto, não-crítivo e superficial. É o conhecimento que utilizamos no dia-dia e que hoje podemos chamar de senso comum.
. Episteme é o conhecimento adquirido por meio de uma rigorosa pesquisa, fruto de um sistema coerente de ideias , seguindo um método rigoroso capaz de expressar na forma de teorias ou leis.
. O ceticismo afirma que não podemos alcançar  um conhecimento confiável a respeito do mundo.
. O dogmatismo em oposição, afirma que o ser humano pode alcançar um conhecimento por meio do esforço racional e da experiência sensível.
o termo filosofia deriva do grego philos (= amigo) e sophia (=sabedoria) e todos aqueles que cultivam a curiosidade, estão abertos ao novo, não aceitam as coisas de modo passivo e procuram dar uma resposta pessoal aos problemas que encontram podem ser filósofos.
. A admiração / espanto e a angústia são atitudes que provocam o início da reflexão filosófica.
Material de apoio complementar UNITINS/Letras/2008/1 pag. 19.  

Modalidades do conhecimento


Buscando melhor compreender e explicar o conhecimento, o homem o classificou em modalidades com características específicas e objetos de estudos próprios. Estas modalidades são: popular ou senso comum, religioso ou teológico, filosófico e científico.
O conhecimento popular, também chamado de empírico ou sensível ou vulgar, é aquele derivado das experiências cotidianas sem que haja a intenção sistemática de analisar uma realidade na forma de pesquisa; é, conforme Cervo e Bian (1997) citado por Neto (2004, p. 11) o conhecimento obtido das “(...) investigações pessoais feitas ao sabor das circunstâncias da vida”, ou seja, o conhecimento construído a partir da relação do indivíduo ou grupo deles com o mundo, em contato direto com coisas e/ou pessoas. Esta categoria tem assumido importância axial como fonte de todo o conhecimento humano.
Outra modalidade não menos importante que a popular é o conhecimento teológico, caracterizado por ser predominantemente valorativo e inspiracional. Um conhecimento que tem como alicerce os princípios, normas, crenças, valores, leis, entre outros, registrados nos livros sagrados, em especial a Bíblia. Registros que são revelados mediante a fé e aceitos após análise crítica da história e que explicam a relação do Absoluto (Deus) e o relativo (homem), como também a realidade do homem e do universo.
O conhecimento filosófico surgiu da necessidade de separar as explicações místicas e religiosas, das explicações pela razão intelectual pura.
A sua importância deve-se ao trabalho da razão pura para questionar e explicar os problemas da vida e do homem, e ter a faculdade de discernir entre o certo e o errado, apenas pela razão e inteligência.
E por fim o conhecimento científico, caracterizado pela racionalidade (uso da razão), sistematização (de práticas e processos) e aplicação de metodologia para descrever, interpretar e explicar a realidade circundante. Consiste, portanto, numa gama organizada de conhecimentos obtidos, principalmente, mediante a observação sistemática de determinado objeto e a experimentação de métodos de investigação próprios para cada fato ou fenômeno.
O avanço desses métodos, a natureza dinâmica da realidade, a subjetividade do pesquisador e a especificidade de cada contexto sociocultural, político e econômico em que se realiza a pesquisa são fatores que influenciam na construção desse conhecimento, tornando-o uma produção também histórica e aberta. Nesse horizonte, é um conhecimento temporal, inacabado, contextualizado e falível.
É preciso destacar que não existe uma hierarquia, em termos de importância e aplicabilidade na vida cotidiana, dessas modalidades, ou seja, a popular não é inferior ou superior à científica, esta não é superior à filosófica (e vice-versa) que também não suplanta a religiosa, mas todas, de acordo com determinado contexto, assumem sua relevância e utilidade, e que elas fazem parte da constituição dos sujeitos, algumas mais presentes que outras, como assinalam Lakatos e Marconi (1982, p. 21): [...] estas formas de conhecimento podem coexistir na mesma pessoa: um cientista voltado, por exemplo, ao estudo da física, pode ser crente praticante de determinada religião, estar filiado a um sistema filosófico e, em muitos aspectos da vida cotidiana, agir com conhecimentos provenientes do senso comum. 
Também, de acordo com Nonaka e Takeuchi (1997), o conhecimento pode ser classificado em conhecimento tácito e conhecimento explícito. O conhecimento tácito é físico, subjetivo, proveniente da experiência, específico ao contexto e difícil de ser formalizado e comunicado. O conhecimento explícito pode ser estruturado e verbalizado, sendo facilmente transportado, armazenado e compartilhado em documentos e sistemas computacionais. Fazem parte do conhecimento explícito livros, normas, procedimentos de trabalho, entre outros.
Nonaka e Takeuchi (1997) destacam que uma organização não pode criar conhecimento sem indivíduos. Portanto, a organização deve apoiar os indivíduos criativos e lhes proporcionar contextos para a criação do conhecimento. A criação do conhecimento organizacional deve ser entendida como um processo que amplia para a esfera da empresa o conhecimento criado pelos indivíduos, cristalizando-o como parte da rede de conhecimentos da organização. Na teoria da criação do conhecimento organizacional, os autores definem os quatro modos de conversão do conhecimento:
  • Socialização: conversão do conhecimento tácito em conhecimento tácito. Consiste no compartilhamento de experiências através da observação, imitação e prática, segundo o modelo mestre-aprendiz.
  • Exteriorização: conversão do conhecimento tácito em conhecimento explícito através do uso de metáforas, analogias, conceitos, hipóteses ou modelos.
  • Combinação: conversão do conhecimento explícito em conhecimento explícito. Envolve a reconfiguração das informações existentes através da classificação, do acréscimo, da combinação e da categorização do conhecimento explícito.
  • Interiorização: conversão do conhecimento explícito em conhecimento tácito. É intimamente relacionado ao “aprender fazendo” e ocorre sob a forma de modelos mentais ou know-how técnico compartilhado.
    http://www.moodle.ufba.br/mod/book/view.php?id=13137&chapterid=10747


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Guns N' Roses-Live and Let Die




Viva E Deixa Morrer

Quando você era jovem
E seu coração era um livro aberto

Você costumava dizer "Viva e deixe viver"
Você sabe que dizia
Você sabe que dizia
Você sabe que dizia

Mas se este mundo sempre em mutação
No qual vivemos
Faz você se render e chorar
Diga "Viva e deixa morrer"

O que importa para você?
Quando você tem trabalho a fazer
Você tem que fazer direito
Você tem que mandar os outros pro inferno

Você costumava dizer "Viva e deixe viver"
Você sabe que dizia
Você sabe que dizia
Você sabe que dizia

Mas se este mundo sempre em mutação
No qual vivemos
Faz você se render e chorar
Diga "Viva e deixa morrer"






Psicopedagogia


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Psicopedagogia é o campo do saber que se constrói a partir de dois saberes e práticas:
 a pedagogia e a psicologia. 

O campo dessa mediação recebe também influências da psicanálise, da linguística, da
semiótica, da neuropsicologia, da psicofisiologia, da filosofia humanista-existencial e da
 medicina.

A psicopedagogia está intimamente ligada à psicologia educacional, da qual uma parte 
aplicada à prática:
[1]. Ela diferencia-se da psicologia escolar, também esta uma subdisciplina da psicologia
 educacional, sob três aspectos
[2]: Quanto à origem - a psicologia escolar surgiu para compreender as causas  do fracasso 
de certas crianças no sistema escolar enquanto a psicopedagogia surgiu
 para o tratamento de determinadas dificuldades de aprendizagem específicas;

quanto à formação - a psicologia escolar é uma especialização na área de psicologia, 
enquanto a psicopedagogia é aberta a profissionais

de diferentes áreas e quanto à atuação - a psicologia escolar é uma área propriamente 
psicológica enquanto a psicopedagogia é uma área plenamente interdisciplinar, tanto
psicológica como pedagógica.

    Algumas questões teóricas

    [

    De acordo com a concepção da Análise do Comportamento, o processo de aprendizagem acontece na relação entre o objeto de conhecimento e o aluno. O professor programa a forma como o objeto de conhecimento será organizado, respeitando as características individuais do aluno. O objetivo é que o aluno se interesse pelo processo de conhecimento e aja sobre o objeto de conhecimento.
    Apesar do que alguns críticos erroneamente afirmam, para os analistas do comportamento o aluno não deve assumir uma posição passiva durante o aprendizado. Pelo contrário, responder a questões, formular questões e relacionar diferentes conteúdos é fundamental. Para que a aprendizagem seja mais efetiva, o professor deve investigar o nível de conhecimento do aluno, identificando seus pontos fortes e fracos e adaptando os conteúdos de forma a facilitar o ensino.


    Concepção Racionalista

    Na concepção racionalista, a aprendizagem é fruto da capacidade interna do aluno. Ele é, ou não, “inteligente” porque já nasceu com a capacidade, ou não, de aprender. Sua aprendizagem também estará relacionada à maturação biológica, só podendo aprender determinados conteúdos quando tiver a prontidão necessária para isso. O aluno já traz uma capacidade inata para aprender. Quando não aprende, é considerado incapaz; se aprende diz-se que tem um bom grau de quociente intelectual ou (Q.I.). Nesta concepção, o papel do professor é de organizador do conteúdo, levando em consideração a idade do indivíduo.
    De acordo com as pesquisas na área cognitiva de aprendizagem, quando uma pessoa apresenta uma deficiência de aprendizado em algum assunto específico, é provável que as ferramentas mentais como análisepercepçãomemóriaanalogiaimaginação e organização mental das informações não estarão desenvolvidas apropriadamente. É necessário preparar essas competências mentais para desenvolver o aprendizado mais sistêmico antes de aplicar o conteúdo em si no aluno. Essa "capacidade inata" de aprender é vista como variável, porque, dependendo do seu sistema mental, o indivíduo pode tê-lo desenvolvido muito bem ou não. Caso negativo, uma orientação especial é capaz de desenvolver esses pontos mais precários de aprendizagem.
    Por esse motivo a concepção racionalista é de cunho preconceitual. Ela se fecha num ponto estático de uma situação e não aborda os elementos possíveis e cabíveis para o desenvolver intelectual e cognitivo que toda mente humana pode desenvolver.


    A concepção construtivista define a aprendizagem como um processo de troca mútua entre o meio e o indivíduo, tendo o outro como mediador. O aluno é um elemento ativo que age e constrói sua aprendizagem. Cabe ao professor instigar o sujeito, desafiando, mobilizando, questionando e utilizando os “erros” de forma construtiva, garantindo assim uma reelaboração das hipóteses levantadas, favorecendo a construção do conhecimento. Nesta concepção o aluno não é apenas alguém que aprende, mas sim o que vivencia os dois processos, sendo ao mesmo tempo ensinante e aprendente.
    Alguns teóricos da Psicopedagogia defendem que “para que haja aprendizagem, intervêm o nível cognitivo e o desejante, além do organismo e do corpo” (Fernández, 1991, p. 74), por isso aproxima-se dos referenciais teóricos do construtivismo, pois foca a subjetivação, enfatizando o interacionismo; acredita no ato de aprender como uma interação, crença esta fundamentada nas idéias dePichon Rivière e de Vygotsky; defende a importância da simbolização no processo de aprendizagem baseada nos estudos psicanalíticos, além da contribuição de Carl Gustav Jung pela psicologia analítica.
    É necessário que o psicopedagogo tenha um olhar abrangente sobre as causas das dificuldades de aprendizagem, indo além dos problemas biológicos, rompendo assim com a visão simplista dos problemas de aprendizagem, procurando compreender mais profundamente como ocorre este processo de aprender numa abordagem integrada, na qual não se toma apenas um aspecto da pessoa mas sua integralidade.
    Necessariamente, nas dificuldades de aprendizagem que apresenta um sujeito, está envolvido também o ensinante. Portanto, o problema de aprendizagem deve ser diagnosticado, prevenido e curado, a partir dos dois personagens e no vínculo. (Fernández, 1991, p. 99). Assim, cabe ao psicopedagogo voltar seu olhar para esses sujeitos, ensinante e aprendente, como para os vínculos e acirculação do saber entre eles. Como afirma Paín, uma tarefa primordial no diagnóstico é resgatar o amor. Em geral, os terapeutas tendem a carregar nas tintas sobre o desamor, sobre o que falta, e poucas vezes se evidencia o que se tem e onde o amor é resgatável. Sem dúvida, isto é o que nos importa no caminho da cura (Paín, 1989, p. 35).


    Regulamentação

    No Brasil vivencia-se ainda a luta, para que se regulamente a profissão de psicopedagogo, de modo que este seja formado em cursos de graduação a exemplo do que já acontece na Europa, em especial, na França e em Portugal, além de outros países.
    Em 2005 foi reconhecido o primeiro curso de graduação em psicopedagogia, oferecido pela PUC/RS (em extinção)[3]. Na época o Brasil já contava com outros cursos em andamento: no Centro Universitário La Salle, (CanoasRS) e no Centro Universitário FIEO (OsascoSão Paulo). Nesta última instituição, em 2006, foi recomendado pela CAPES o primeiro mestrado acadêmico com área de concentração em psicopedagogia.
    A regulamentação brasileira tem avançado a partir do Projeto de Lei nº 128/2000 e da Lei n.º 10.891. Entretanto, a regulamentação de qualquer nova profissão, a exemplo das tentativas de regulamentação da psicanálise no Brasil, têm encontrado uma forte barreira constitucional, pois o Art. 5º da Constituição Brasileira prevê o "livre exercício profissional", sendo entendido que é desnecessário e oneroso para o Estado a regulamentação de profissões, exceto quando há risco eminente para a sociedade.


    Terminologia

    • Ensinante-aprendente: termo usado para indicar que todo sujeito exerce as duas funções simultaneamente.
    • Diagnóstico Psicopedagógico: trata-se da avaliação da situação e história individual baseado nos princípios psicopedagógicos, o que difere do diagnóstico psicológico ou da avaliação educacional.
    • DIFAJ: termo cunhado por Alicia Fernández para descrever o modelo de atendimento psicopedagógico implementado pelo E.Psi.B.A. É o acrônimo para "Diagnóstico Interdisciplinar Familiar de Aprendizagem em uma Jornada".
    • Inteligência atrapada: estado de inibição cognitiva caracterizado pelo esquema mental de defesa ou fuga, desenvolvido pelo próprio sujeito que impede ou atrapalha a aprendizagem.
    • Queixa: termo que designa o problema vivenciado pelo sujeito, em geral criança ou adolescente, na visão dos pais ou de quem apresenta o caso ao profissional psicopedagogo (Ex: "Ele não consegue ler"; "Ela escreve de trás para frente"; "Ele troca as letras"; "Ele não sabe nada").
    • Vínculo: relação mútua entre a criança ou adolescente e o outro (família, colegas, profissionais etc.).


    Referências bibliogáficas

    • BARBOSA, Laura Mont Serrat. A história da psicopedagogia contou também com Visca, in Psicopedagogia e Aprendizagem. Coletânea de reflexões. Curitiba, 2002.
    • BEAUCLAIR, João. Psicopedagogia: trabalhando competências, criando habilidades. 2ªed. Rio de Janeiro, WAK 2004.
    • BEAUCLAIR, João. Para Entender Psicopedagogia: perspectivas atuais, desafios futuros. Rio de Janeiro, WAK, 2006.
    • FERNÁNDEZ, Alicia. A inteligência aprisionada. Porto Alegre: ArtMed, 1991.
    • FERNÁNDEZ, Alicia. A mulher escondida na professora. Porto Alegre: ArtMed, 1994.
    • FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra (Coleção Leitura), 1997.
    • MERY, Janine. Pedagogia curativa escolar e psicanálise. Porto Alegre : Artes Médicas, 1985.
    • PAÍN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. 3ªed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.
    • SKINNER, Burrhus Frederic. Ciência e comportamento humano. 4ªed. São Paulo: Martins Fontes, 1978.