sábado, 19 de novembro de 2011

Livros que formam personalidade.

Toda criança precisa que leiam histórias para ela e quando ela aprender a ler é importante que ela leia alguns clássicos: Como O Pequeno Príncipe de  Antoine de Saint-Exupery, A volta ao Mundo em 80 dias de Júlio Verne  e entre outros A fantástica fabrica de   chocolates de Roald Dahl .




livro é um objeto mágico, muito maior por dentro do que por fora... cabe tudo dentro dele: castelos, florestas, cidades inteiras.
Tatiana Belinky

sábado, 12 de novembro de 2011

Parafraseando

                                                                           Jornal "A Cidade"

  • JOSÉ
  •  Carlos Drummond de Andrade

  • E agora, José?
    A festa acabou,
    a luz apagou,
    o povo sumiu,
    a noite esfriou,
    e agora, José?
    e agora, você?
    você que é sem nome,
    que zomba dos outros,
    você que faz versos,
    que ama protesta,
    e agora, José?

    Está sem mulher,
    está sem discurso,
    está sem carinho,
    já não pode beber,
    já não pode fumar,
    cuspir já não pode,
    a noite esfriou,
    o dia não veio,
    o bonde não veio,
    o riso não veio,
    não veio a utopia
    e tudo acabou
    e tudo fugiu
    e tudo mofou,
    e agora, José?

    E agora, José?
    Sua doce palavra,
    seu instante de febre,
    sua gula e jejum,
    sua biblioteca,
    sua lavra de ouro,

    seu terno de vidro, sua incoerência,
    seu ódio - e agora?

    Com a chave na mão
    quer abrir a porta,
    não existe porta;
    quer morrer no mar,
    mas o mar secou;
    quer ir para Minas,
    Minas não há mais.
    José, e agora?

    Se você gritasse,
    se você gemesse,
    se você tocasse
    a valsa vienense,
    se você dormisse,
    se você cansasse,
    se você morresse…
    Mas você não morre,
    você é duro, José!

    Sozinho no escuro
    qual bicho-do-mato,
    sem teogonia,
    sem parede nua
    para se encostar,
    sem cavalo preto
    que fuja a galope,
    você marcha, José!
    José, pra onde?



    • Um novo José
    • Josias de Souza
    • Calma José.
    • A festa não começou,
    • a luz não acendeu,
    • a noite não esquentou
    • O Malan não amoleceu, mas se voltar a pergunta:
    • e agora José
    • Diga: ora Drummond,
    • agora Camdessus.
    • Continua sem mulher,
    • continua sem discurso,
    • continua sem carinho, ainda não pode beber,
    • ainda não pode fumar,cuspir ainda não pode,
    • a noite é fria,
    • O dia ainda não veio,
    • o riso ainda não veio,
    • não veio ainda a utopia,
    • o Malan tem miopia,
    • mas nem tudo acabou,
    • nem tudo fugiu,
    • nem tudo mofou.
    • Se voltar a pergunta:
    • E agora José?
    • Diga: ora Drummond, Agora FMI.
    • Se você gritasse,
    • se você gemesse,
    • se você dormisse,
    • se você cansasse,
    • se você morresse...
    • O Malan nada faria,
    • mas já há quem faça.
    • Ainda só, no escuro,
    • qual bicho do mato, ainda sem teogonia,
    • ainda sem parede nua, pra se encostar,
    • ainda sem cavalo preto,
    • que fuja a galope,
    • você ainda marcha José!
    • Se voltar a pergunta:
    • José para onde?
    • Diga: ora Drummond,
    • Por que tanta dúvida?
    • Elementar, elementar,
    • sigo pra Washington
    • e, por favor, poeta,
    • não me chame de José.
    • Me chame Joseph.


Parnasianismo





XXXI

Longe de ti, se escuto, porventura,
Teu nome, que uma boca indiferente
Entre outros nomes de mulher murmura,
Sobe-me o pranto aos olhos, de repente...

Tal aquele, que, mísero, a tortura
Sofre de amargo exílio, e tristemente
A linguagem natal, maviosa e pura,
Ouve falada por estranha gente...

Porque teu nome é para mim o nome
De uma pátria distante e idolatrada,
Cuja saudade ardente me consome:

E ouvi-lo é ver a eterna primavera
E a eterna luz da terra abençoada,
Onde, entre flores, teu amor me espera.

Olavo Bilac


O CARRO DA MISÉRIA - XIV


vou-me embora vou-me embora
vou-me embora pra Belém
vou colhêr cravos e rosas
volto a semana que vem

vou-me embora paz da terra
paz da terra repartida
uns tem terra muita terra
outros nem pra uma dormida

não tenho onde cair morto 
fiz gorar a inteligência
vou reentrar no meu povo
reprincipiar minha ciência

vou-me embora vou-me embora
volto a semana que vem
quando eu voltar minha terra
será dela ou de ninguem. 

(mário de andrade)
                                          Pueblito (Morro da favela II) Tarsilla do Amaral 1945

REVELAÇÃO DO SUBÚRBIO

Quando vou para Minas, gosto de ficar de pé, contra a vidraça do carro,
vendo o subúrbio passar.
O subúrbio todo se condensa para ser visto depressa,
com medo de não repararmos suficientemente
em suas luzes que mal têm tempo de brilhar.
A noite come o subúrbio e logo o devolve,
ele reage, luta, se esforça,
até que vem o campo onde pela manhã repontam laranjais
e à noite só existe a tristeza do Brasil.”


Carlos Drummond de Andrade


Metáfora

Gilberto Gil

Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz: "Lata"
Pode estar querendo dizer o incontível

Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz: "Meta"
Pode estar querendo dizer o inatingível

Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudonada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível

Deixe a meta do poeta, não discuta
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora

                                 


Iracema Voou

Chico Buarque

Iracema voou
Para a América
Leva roupa de lã
E anda lépida
Vê um filme de quando em vez
Não domina o idioma inglês
Lava chão numa casa de chá
Tem saído ao luar
Com um mímico
Ambiciona estudar
Canto lírico
Não dá mole pra polícia
Se puder, vai ficando por lá
Tem saudade do Ceará
Mas não muita
Uns dias, afoita
Me liga a cobrar
É Iracema da América