segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Beautiful Day U2


Lindo Dia

O coração é uma flor
Que brota no chão rochoso
Mas não há nenhum quarto,
Nenhum lugar para alugar nesta cidade


Você está sem sorte
E o motivo que você tinha para se preocupar
O trânsito engarrafou
E você não está indo a lugar algum


Você achou que havia encontrado um amigo
Para lhe tirar deste lugar
Alguém a quem você pudesse dar uma força
em troca de misericórdia


É um lindo dia
O céu desaba
E você acha que é um lindo dia
Não deixe ele escapar


Você está na estrada
Mas não tem destino
Você está na lama,
No labirinto da imaginação dela


Você ama esta cidade,
Mesmo que isso não soe verdadeiro
Você conhece ela inteira,
E ela conhece você por inteiro


É um lindo dia
Não deixe ele escapar
É um lindo dia


Toque-me,
Leve-me para aquele outro lugar
Ensine-me,
Eu sei que não sou um caso perdido


Veja o mundo em verde e azul
Veja a China bem na sua frente
Veja os canyons rasgados por nuvens
Veja o cardume de atum limpando o mar
Veja as fogueiras beduinas à noite
Veja os campos de petróleo à primeira luz e,
Veja o pássaro com um ramo no bico
Depois da enchente todas cores apareceram.


Era um lindo dia
Não deixe ele escapar
Lindo dia


Toque-me,
Leve-me para aquele outro lugar
Alcançe-me,
Eu sei que não sou um caso perdido


O que você não tem, você não precisa agora
O que você não sabe você pode sentir de alguma forma
O que você não tem você não precisa agora
Você não precisa agora


Foi um lindo dia...

Un argentino mucho loco

domingo, 20 de novembro de 2011

Día internacional de los derechos del niño


Hoy 20 de noviembre es un día para tener presente en todo momento: es el Día Internacional de los Derechos del Niño.
Juntos podemos seguir trabajando para que sus derechos se cumplan siempre, y puedan contar con lo necesario para crecer y divertirse con la mayor prevención y cuidado. Por eso, en este día celebremos todo lo que hacemos por ellos.
Démosles lo mejor de nosotros!

sábado, 19 de novembro de 2011

Livros que formam personalidade.

Toda criança precisa que leiam histórias para ela e quando ela aprender a ler é importante que ela leia alguns clássicos: Como O Pequeno Príncipe de  Antoine de Saint-Exupery, A volta ao Mundo em 80 dias de Júlio Verne  e entre outros A fantástica fabrica de   chocolates de Roald Dahl .




livro é um objeto mágico, muito maior por dentro do que por fora... cabe tudo dentro dele: castelos, florestas, cidades inteiras.
Tatiana Belinky

sábado, 12 de novembro de 2011

Parafraseando

                                                                           Jornal "A Cidade"

  • JOSÉ
  •  Carlos Drummond de Andrade

  • E agora, José?
    A festa acabou,
    a luz apagou,
    o povo sumiu,
    a noite esfriou,
    e agora, José?
    e agora, você?
    você que é sem nome,
    que zomba dos outros,
    você que faz versos,
    que ama protesta,
    e agora, José?

    Está sem mulher,
    está sem discurso,
    está sem carinho,
    já não pode beber,
    já não pode fumar,
    cuspir já não pode,
    a noite esfriou,
    o dia não veio,
    o bonde não veio,
    o riso não veio,
    não veio a utopia
    e tudo acabou
    e tudo fugiu
    e tudo mofou,
    e agora, José?

    E agora, José?
    Sua doce palavra,
    seu instante de febre,
    sua gula e jejum,
    sua biblioteca,
    sua lavra de ouro,

    seu terno de vidro, sua incoerência,
    seu ódio - e agora?

    Com a chave na mão
    quer abrir a porta,
    não existe porta;
    quer morrer no mar,
    mas o mar secou;
    quer ir para Minas,
    Minas não há mais.
    José, e agora?

    Se você gritasse,
    se você gemesse,
    se você tocasse
    a valsa vienense,
    se você dormisse,
    se você cansasse,
    se você morresse…
    Mas você não morre,
    você é duro, José!

    Sozinho no escuro
    qual bicho-do-mato,
    sem teogonia,
    sem parede nua
    para se encostar,
    sem cavalo preto
    que fuja a galope,
    você marcha, José!
    José, pra onde?



    • Um novo José
    • Josias de Souza
    • Calma José.
    • A festa não começou,
    • a luz não acendeu,
    • a noite não esquentou
    • O Malan não amoleceu, mas se voltar a pergunta:
    • e agora José
    • Diga: ora Drummond,
    • agora Camdessus.
    • Continua sem mulher,
    • continua sem discurso,
    • continua sem carinho, ainda não pode beber,
    • ainda não pode fumar,cuspir ainda não pode,
    • a noite é fria,
    • O dia ainda não veio,
    • o riso ainda não veio,
    • não veio ainda a utopia,
    • o Malan tem miopia,
    • mas nem tudo acabou,
    • nem tudo fugiu,
    • nem tudo mofou.
    • Se voltar a pergunta:
    • E agora José?
    • Diga: ora Drummond, Agora FMI.
    • Se você gritasse,
    • se você gemesse,
    • se você dormisse,
    • se você cansasse,
    • se você morresse...
    • O Malan nada faria,
    • mas já há quem faça.
    • Ainda só, no escuro,
    • qual bicho do mato, ainda sem teogonia,
    • ainda sem parede nua, pra se encostar,
    • ainda sem cavalo preto,
    • que fuja a galope,
    • você ainda marcha José!
    • Se voltar a pergunta:
    • José para onde?
    • Diga: ora Drummond,
    • Por que tanta dúvida?
    • Elementar, elementar,
    • sigo pra Washington
    • e, por favor, poeta,
    • não me chame de José.
    • Me chame Joseph.


Parnasianismo





XXXI

Longe de ti, se escuto, porventura,
Teu nome, que uma boca indiferente
Entre outros nomes de mulher murmura,
Sobe-me o pranto aos olhos, de repente...

Tal aquele, que, mísero, a tortura
Sofre de amargo exílio, e tristemente
A linguagem natal, maviosa e pura,
Ouve falada por estranha gente...

Porque teu nome é para mim o nome
De uma pátria distante e idolatrada,
Cuja saudade ardente me consome:

E ouvi-lo é ver a eterna primavera
E a eterna luz da terra abençoada,
Onde, entre flores, teu amor me espera.

Olavo Bilac


O CARRO DA MISÉRIA - XIV


vou-me embora vou-me embora
vou-me embora pra Belém
vou colhêr cravos e rosas
volto a semana que vem

vou-me embora paz da terra
paz da terra repartida
uns tem terra muita terra
outros nem pra uma dormida

não tenho onde cair morto 
fiz gorar a inteligência
vou reentrar no meu povo
reprincipiar minha ciência

vou-me embora vou-me embora
volto a semana que vem
quando eu voltar minha terra
será dela ou de ninguem. 

(mário de andrade)
                                          Pueblito (Morro da favela II) Tarsilla do Amaral 1945

REVELAÇÃO DO SUBÚRBIO

Quando vou para Minas, gosto de ficar de pé, contra a vidraça do carro,
vendo o subúrbio passar.
O subúrbio todo se condensa para ser visto depressa,
com medo de não repararmos suficientemente
em suas luzes que mal têm tempo de brilhar.
A noite come o subúrbio e logo o devolve,
ele reage, luta, se esforça,
até que vem o campo onde pela manhã repontam laranjais
e à noite só existe a tristeza do Brasil.”


Carlos Drummond de Andrade


Metáfora

Gilberto Gil

Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz: "Lata"
Pode estar querendo dizer o incontível

Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz: "Meta"
Pode estar querendo dizer o inatingível

Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudonada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível

Deixe a meta do poeta, não discuta
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora

                                 


Iracema Voou

Chico Buarque

Iracema voou
Para a América
Leva roupa de lã
E anda lépida
Vê um filme de quando em vez
Não domina o idioma inglês
Lava chão numa casa de chá
Tem saído ao luar
Com um mímico
Ambiciona estudar
Canto lírico
Não dá mole pra polícia
Se puder, vai ficando por lá
Tem saudade do Ceará
Mas não muita
Uns dias, afoita
Me liga a cobrar
É Iracema da América